• 02.03.2011

Ricardo Bastos Areias

4 Distorções, 4 Distâncias, 4 Relicários

© Ricardo Bastos Areias

Observatório da Serra do Pilar, 6 de Janeiro de 2011, a personagem incontornável do seu director, o Professor Manuel Barros leva-nos a uma tentativa de reconstituição histórica de um lugar expectante e em suspenso. Percebe-se o seu relacionamento emocional com o edifício e a nostalgia do papel que teria assumido no panorama científico nacional.

Mas, no entanto, este conto em forma de aula acompanhado de uma sequência de imagens, não deixa de estar pontuado de histórias fantásticas sobre espionagem, aventuras policiais, e manifestações de amargura, tudo isto coabitando com a apresentação de dados científicos e museológicos.

Da gravação áudio com 58’ 28”, procedeu-se a uma identificação de fracções do registo inicial, com o título Nostalgia e Fetiche do Analógico, que criassem uma imagem ou mesmo um atlas de imagens mentais capazes de construir uma nova narrativa fantástica em torno da história daquele universo; mais ainda, que fosse capaz de ilustrar uma possível distorção ficcional da memória do narrador.

Um Mnemosyne de objectos que correspondem a uma memória congelada em sucessivos relicários e que vai perdendo definição e sentimento de pertença consoante o número de distâncias impostas e sobrepostas numa sequência de intervenções. Um original ficcionado, uma metáfora esquizofrénica que se manifesta numa série de alucinações e narrativas não lineares que mimetizam a estrutura de funcionamento da memória humana.

Conhecer é inserir algo no que é real, e por conseguinte distorcer a realidade (Carlo Emilio Gadda). Quanto mais o mundo aparece distorcido perante os seus olhos, mais o eu do autor se envolve neste processo e é ele próprio dis- torcido e confuso.