• 02.03.2011

Carla Rendeiro

Ao vento no meridiano

© Carla Rendeiro

Partimos de um lugar aberto a todos os lugares: o Observatório da Serra do Pilar. Daqui abrimos o estendal do visível que a olho nu podemos abarcar: rio, mar, sol, estrelas, nós, o volume do casario que parece respirar através das cordas de roupa que aqui fixamos, e onde adivinhamos um uso do quotidiano, a experiência de um lugar culturalmente partilhado num ponto con- creto do meridiano.

Ao mesmo tempo registamos o vazio do lugar, o silêncio do vento, o ruído do pó que parecem acumular a memória de uma ausência que tudo envolve. Mas no meio ou nos interstícios deste lugar solitário, sobrevive uma horta cultivada, marca da presença e da duração humana.

Pretende-se trazer para o contexto do museu, o ambiente onde esta presença, a relação com o espaço e com o tempo, se traduzem numa reflexão estética de significado do eu, do objecto e do lugar.

Da escala infinita do observatório à intimidade da pele e daquilo que a veste, ou que a despe quando exposta ao nosso olhar através do estendal de roupa, partimos para a reflexão sobre os contextos da sobremodernidade. A superabundância factual, espacial e individualização das referências, correspondendo à transformação das categorias de tempo, espaço e indivíduo.