• 20.09.2011

DAD.FBAUP

Fé, artefacto e cidade

Do ensaio de Ernesto de Sousa – As artes gráficas e a cidade – emerge, também, a sugestão de debate sobre a intervenção do design e o contributo que a disciplina empresta à expressão e percepção do espaço urbano.

O lugar de agora, antes de experiênciado, é imaginado. Uma projecção idealmente concebida do território urbano que projecta valores e imagens concordantes das expectativas, ou motivadoras das mesmas, junto do cidadão do mundo e cuja promessa, na perspectiva imagética, se estende além da realidade oferecida. Falamos de uma atribuição social construída pela acção do programa de design enquanto interface de comunicação entre as instituições e o habitante em toda a sua dimensão: do pessoal ao colectivo e do local ao global.

O lugar de agora é o mundo.

Esta relação, atribuiu um novo sentido de escala geográfica, cultural, económica e tecnológica – a aldeia global – que marca a vivência dos nossos dias, gerando novos padrões de avaliação sobre a cidade e metodologias de intervenção adjacentes. A cidade dos nossos tempos é, deste modo, considerada além da sua especificidade local, tangível e concreta, reconfigurando-se em mediações que se ajustam às possibilidades de afirmação territorial perante uma acentuação da competitividade entre lugares. Por outro lado, esta dimensão competitiva veio valorizar o espaço, potenciando inclusive, um sentimento de pertença e unidade junto das comunidades locais e do mundo.

Estamos perante um novo paradigma que enfatiza a supremacia das linguagens visuais – o grafismo – como veículo privilegiado de caracterização no âmbito da comunicação e disponibilidade dos média. Será este o momento em que o design e a programação visual proporcionam, à cidade, o estímulo do valor acrescentado que, entretanto, se tornou indispensável à modernização do território, independente da sua dimensão geográfica, cultural, económica ou política. Falamos, sobretudo, de um suporte comunicacional que promove a difusão de valores entre as instituições e as comunidades através de artefactos de interface cultural: o objecto de design.

Somos, hoje, actores de uma cidade, palco, que vive de um entendimento entre a proposta institucional e a expectativa do cidadão residente. E, no final, tudo se resume ao momento em que a comunidade reconhece, no artefacto que comunica a cidade, o indício de uma experiência satisfatória.

Pedro Serapicos

Set. 2011