• 02.03.2011

Fátima Santos

Lat 41º 08’ 19’’ N Long 8º 36’ 09’’ W – Alt 93.515 m

© Fátima Santos

“Não há tempo. Há leis. Há espaço. Há movimento.” 1

Os movimentos gráficos registados pelos sismógrafos 2 são o paradigma do discurso plástico. Neste, o desenho de carácter geométrico é determinado pela composição, na qual se distinguem três formas oriundas do primário. 3 O que outrora fora uma linguagem científica é aqui uma especulação pictórica.

As linhas geométricas são perceptíveis pelas diferenças cromáticas de cinza-cor delineadas num suporte longitudinal, análogo ao movimento estabelecido numa distância e percorrido num determinado Tempo

Este registo descrito pelas diferentes acentuações formais, designa movi- mentos sobrepostos que suscitam fraseados rítmicos.
Dada a pluralidade do conceito Tempo, neste contexto, é abordado em duas dimensões: o movimento afirmado pelos gráficos do sismógrafo que tra- duzem as oscilações da Terra e o pelo movimento do metrónomo 4 que marca o ritmo esboçado pela plasticidade das formas geométricas do desenho— O Tempo Musical. 5

Pelo som, cor, impressão e irregularidade do traço, guardam-se assim memórias de um espaço, de um lugar… 6

Notas:
  1. AFONSO, Nadir, O Tempo não existe, Dinalivro — Fundação Nadir Afonso, 1ª edição Agosto 2010, pp.21.
  2. Sismógrafo regista a intensidade das oscilações produzidas pelos tremores de terra.
  3. Sismograma. Um sismograma é o registo feito a partir de um sismógrafo.
  4. Serve para indicar o tempo de uma composição através de batidas sonoras regulares a uma velocida- de ajustável (tradução do autor). RANDEL, Michael, The Harvard dictionary of music, Harvard University Press, 4 edic. s/l, 2003. pp 505.
  5. Tempo–Musical: unidade de medida da pulsação rítmica, geralmente correspondente a cada uma das partes de um compasso musical.
  6. Observatório da Serra do Pilar.