• 02.03.2011

João Vilnei

Lavagem 2

© João Vilnei

Ampulheta

Trago para o Museu o que do Observatório retirei. Não as relíquias nem os equipamentos importantes e que já lá não estavam, mas o pó acumulado de cima dos móveis: uma marcação do tempo de abandono daquele espaço.

Lavagem 2 é o registo físico da limpeza realizada nas salas do Observatório. A perspectiva é que essa acção crie uma ilha de organização, em con- traste com outros espaços do prédio, aparentemente esquecidos.

O pó acumulado que compõe este trabalho é reflexo desse abandono. Este lixo, transportado, fala sobre os que lá trabalhavam, não somente as pessoas que faziam a limpeza regularmente, relação óbvia, mas também todos os colaboradores que precisavam de ter a sala limpa para desenvolverem o seu trabalho. Realizar esta nova limpeza é como voltar a dar condições primárias para que aquele espaço possa ser novamente utilizado.

Lavagem, ao mesmo tempo que significa lavar, limpar (lembro-me do lava-pés, da atitude de humildade com que Jesus se pôs diante dos discípulos), é também as sobras de comida que se dá aos porcos. Reúne-se o que não presta e já não serve para o homem e dá-se ao animal. É ao mesmo tempo o limpo e o sujo. O renovado e o descartado.