• 02.03.2011

Maria de Freitas

Melencolia

© Maria de Freitas

Melancolia, palavra de origem grega formada por kholé (bílis) e mêlas (negro), significa «bílis negra» ou «atrabile». Cícero, Séc. I a.c, ligou a melancolia à loucura (acreditava-se que a “bílis negra” podia subir ao cérebro e causar desorientações e medos). A palavra ganhou outros significados ao longo dos tempos: Aristóteles associou-a ao homem de génio e à imaginação e na Renascença os homens excepcionais eram melancólicos porque exerciam a imaginação, inventavam e criavam. A melancolia tornou-se na mais profunda metáfora da imaginação ocidental.

O OBSERVATÓRIO. Local de observação, registo e arquivo. Como no eixo invertido do poliedro de Dürer o uso deste lugar inverteu-se: do rigor à expressão. As salas de tectos altos e muitas janelas são agora animadas por inspirações e aspirações. O branco sujo de pó e memórias das paredes contrasta com o branco das telas virgens e a tinta descascada rodeia as telas com tinta fresca.

COMPOSIÇÃO. O anjo zelador dos despojos do Observatório na postura clássica do melancólico: cabeça inclinada e apoiada na mão, olhar absorto, sustenta o peso do tempo que muito tornou obsoleto. Junto a si objectos vazios de função e o poliedro de Dürer, corporalização da melancolia.