• 20.09.2011

DAD.FBAUP

Pretexto Branco e Variações Cromáticas Eb_C_E

A Pintura enquanto Prática artística desta investigação fundamenta-se a partir de um processo criativo, previamente estruturado em momentos essenciais que antecedem o objecto Pictórico. Parte de propósitos teóricos que estabelecem semelhanças entre a teoria musical e a linguagem plástica. Estes propósitos desenvolvem-se no processo e concretizam-se no objecto Pictórico. Os estudos relativos ao Processo Criativo apoiam-se em maquetas e desenhos realizados mediante uma estrutura de eixos verticais e horizontais nos quais se articulam, segundo progressões simples, três estruturas paralelepipédicas. A disposição espacial dessas estruturas geométricas é depois transferida para o suporte (uma secção de um paralelepípedo) de diferentes inclinações verticais.

A paleta cromática forma-se a partir de cinza-cor e a cada cor do ciclo cromático1 corresponde uma nota musical. Visto que o ciclo cromático equivale ao ciclo das quintas2, o título da obra corresponde à predominância cromática na respectiva sigla universal das notas musicais: Dó-C; Ré-D, Mi-E; Fá-F; Sol-G; Lá-A; Si-B. Contudo, nesta investigação a música é apenas uma ferramenta criativa, um elemento construtivo de pensamento que permite estabelecer analogias com a Pintura.

Se o silêncio é a ausência de som na linguagem musical poderá o Branco ser o silêncio na linguagem pictórica? Ou poderá o Banco ser o Pretexto ou o Silêncio (que antecede a linguagem) pronunciado por Ernesto de Sousa?

Partindo do texto Oralidade, futuro da arte? E outros textos é na concepção do tempo que se deve tentar descortinar o pensamento de Ernesto de Sousa.3

“ Na Arte trata-se de revelar o que aconteceu antes da linguagem”. 4

Este “antes da linguagem” é no sentido do tempo e a linguagem é o próprio fazer, é a constituição progressiva e lógica das realidades. O antes da linguagem e a consequente linguagem no campo de acção de um discurso generalizado, e aqui em particular no discurso pictórico é o procedimento do pensar e do fazer.

Neste sentido o antes ou o pretexto corresponde ao Branco, aberto pela composição formal e cromática que realiza o discurso pictórico.

Assim sendo, as três peças intituladas Pretexto Branco e Variações Cromáticas Eb_C_E definem o discurso plástico, ao Branco sucedem variações de cinza-cor e estruturas geométricas que gradualmente descrevem a composição formal e cromática. Este discurso é reforçado pelas diferentes, mas progressivas inclinações de ordem ascendente e descendente das respectivas peças, sendo que, na segunda se impõe o limite da exposição do discurso e inversamente à primeira, a terceira finda no silêncio…

“Um silêncio potencialmente cheio de tudo o que dele pode surgir.”5

 

1 Parte das 12 cores do ciclo cromático organizado por Johannes Itten.

ITTEN, Johannes, L´art de la couleur, H. Dessin e Tolra Editeurs.pg. 116.

2 As notas musicais estão organizadas segundo intervalos de quinta.

3Texto cedido pelos docentes da unidade curricular Práticas e Estudos Avançados, Doutoramento em Arte e Design.

SOUSA,Ernesto de, Oralidade, futuro da arte? E outros textos, 1953-87, Isabel Alves e Cemes, Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa, 2010.pg.II

4Idem, pg. II.

5Idem, Ibidem, pg.14.

 

Fátima Santos

Set. 2011